Você já viu 26,5% em algum lugar. Depois viu 27,91%. Nenhum dos dois é o percentual que vai sair na sua nota, porque a alíquota cheia do IBS e da CBS ainda não foi fixada por ninguém. Aqui você vê quem decide esse número, quando ele sai, e o que já está valendo enquanto ele não sai.
1 O QUE É A ALÍQUOTA CHEIA
É o percentual que incide sobre uma operação normal, sem redução e sem regime especial. E ela não é um número único que desce de Brasília pronto.
O caminho tem duas etapas. Primeiro o Senado publica uma alíquota de referência. Depois cada ente fixa a sua por lei própria: a União fixa a da CBS, cada estado e cada município fixa a sua parte do IBS. Quem não fixar nada fica com a de referência.
Enquanto o Senado não publicar essa resolução, não existe alíquota cheia. Existe estimativa.
2 DE ONDE VÊM OS NÚMEROS QUE CIRCULAM
Os 26,5% estão na lei da reforma, mas não como preço final. É um patamar de alerta: se a soma projetada passar disso na avaliação que o governo vai fazer no começo da próxima década, o Executivo fica obrigado a mandar ao Congresso um projeto propondo medidas para trazer o percentual de volta. É uma obrigação de propor, não um corte automático.
Os 27,91% são mais recentes. Em julho de 2026 o Comitê Gestor do IBS publicou sua própria estimativa — 18,70 pontos de IBS e 9,21 de CBS — para montar a proposta de orçamento dele para 2027. É parâmetro de planejamento. Não muda a carga de ninguém e não cria obrigação nova.
Os dois números são projeção. Nenhum foi votado como alíquota.
3 COMO O NÚMERO VAI SAIR
| Quando | De quem | O que acontece |
|---|---|---|
| até 30/10/2026 | CBS | proposta de cálculo homologada chega ao Senado |
| ainda em 2026 | CBS | Senado fixa a alíquota de referência por resolução, para valer em 2027 |
| 2027 | IBS | começa em 0,1%, sem alíquota de referência |
| a partir de 2029 | IBS | passa a ter alíquota de referência fixada pelo Senado |
A CBS tem pressa porque começa a ser cobrada em 2027. O IBS não tem: ele entra devagar, e só precisa de um número de referência quando começa a substituir o ISS de verdade.
4 PARA QUEM ESSE NÚMERO VAI IMPORTAR
Depende do regime, e a diferença aqui é grande.
Quem está no Lucro Presumido vai sentir. Em janeiro de 2027 PIS e Cofins acabam e a CBS entra no lugar, já cheia. A alíquota que o Senado publicar é a conta dele.
Quem está no Simples Nacional pagando por dentro do DAS continua pagando pela tabela do Simples. A alíquota cheia não é a conta dele, e as reduções que existem para setores como saúde também não alcançam quem paga por dentro. Em compensação, quem paga por dentro não aproveita crédito nenhum das notas que recebe.
Quem está no Simples e optar, na janela de setembro de 2026, por apurar IBS e CBS por fora do DAS muda de lado: passa a viver pelas regras gerais, e aí a alíquota cheia vira a conta dele.
▲ E 2026 é ano de teste, com IBS de 0,1% e CBS de 0,9%. Isso não alcança quem está no Simples.
5 O QUE NÃO MUDA ENQUANTO ISSO
Nada na sua guia muda por causa desses percentuais. Quem está no Simples continua pagando DAS pela tabela do Simples. Quem está no Lucro Presumido continua com PIS e Cofins até o último dia de 2026. O ISS continua inteiro: ele só começa a cair em 2029 e deixa de existir em 2033.
O que muda antes disso é papel, não imposto. A nota do Lucro Presumido passa a trazer os campos de IBS e CBS em outubro de 2026, e a do Simples em janeiro de 2027.
6 O QUE FAZER COM ISSO
Não refaça preço nem feche contrato longo tratando 26,5% ou 27,91% como se fossem definitivos. Use como ordem de grandeza para simular cenários, e revise quando a resolução sair — aí o número deixa de ser projeção.
Se quiser entender o que isso significa na sua empresa, fale com a gente.
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A gente está acompanhando de perto as mudanças e manda os avisos. Sempre que você vir que alguma delas tem relação com o seu caso, a gente faz a conta junto.